ContabilidadeDocumentação fiscal: o que a empresa precisa guardar
Saiba quais documentos fiscais guardar sob as regras do IBS e CBS e como o armazenamento correto garante seus créditos tributários financeiros.

Na rotina do comércio, devoluções de mercadorias são uma realidade inevitável. Quando essas devoluções envolvem produtos sujeitos ao regime de Substituição Tributária (ICMS-ST), a complexidade fiscal aumenta.
Utilizar o código CFOP incorreto nessa situação pode desfazer todo o cuidado tributário da operação original, gerando um emaranhado de créditos e débitos fiscais inconsistentes e, consequentemente, autuações.
É nesse contexto crítico que o CFOP 5411 se torna indispensável. Este código é específico para regularizar a devolução de uma mercadoria que foi comprada para comercialização e que está sujeita ao ICMS-ST.
Este guia completo vai detalhar tudo sobre o CFOP 5411: seu significado, sua aplicação prática, o passo a passo para o preenchimento correto da nota fiscal e os erros que você deve evitar para manter a conformidade fiscal da sua empresa.
O CFOP 5411 é um código fiscal utilizado para classificar a operação de “Devolução de compra para comercialização” quando a mercadoria devolvida está sujeita ao regime de Substituição Tributária (ICMS-ST) e a operação é dentro do mesmo estado.
Em termos mais diretos, é o código a ser usado quando uma empresa que comprou um produto para revenda (e este produto é sujeito a ST) precisa devolvê-lo ao seu fornecedor, e esse fornecedor está no mesmo estado.
Confira todos os códigos CFOP em: “CFOP: o que é, para que serve e tabela”.
A lógica por trás dos números do CFOP 5411 desvenda sua finalidade:
O enquadramento legal do CFOP 5411 está previsto na Tabela de Códigos Fiscais de Operações e Prestações, disciplinada pelo Convênio ICMS 52/91 e suas atualizações. Seu uso é obrigatório para garantir a correta escrituração fiscal e o tratamento tributário adequado do ICMS-ST envolvido na operação original de compra.
Saiba mais em: “Escrituração fiscal digital: o que é, para que serve e como preparar sua empresa”.
A especificidade do CFOP 5411 está exatamente na sua relação com a Substituição Tributária. Este código deve ser usado apenas quando a mercadoria que está sendo devolvida é do tipo sujeita ao regime de ST. Isso inclui uma vasta gama de produtos, como:
A utilização do CFOP 5411 sinaliza ao Fisco que a devolução envolve uma operação na qual o ICMS-ST já foi recolhido antecipadamente pelo fornecedor (contribuinte substituto). Isso é crucial para o ajuste dos valores tributários.
Saiba mais em: “Substituição tributária: o que sua empresa precisa saber para emitir corretamente”.
A aplicação do CFOP 5411 é condicionada a requisitos específicos. Sua utilização é obrigatória quando todos os critérios abaixo forem atendidos simultaneamente.
O objetivo original da compra deve ter sido a comercialização (revenda). O CFOP 5411 não se aplica a devoluções de mercadorias compradas para uso e consumo da empresa ou para industrialização.
A nota fiscal de origem (da compra) deve ter sido emitida com um CFOP de entrada para comercialização.
Este é o critério mais importante.
O CFOP 5411 pressupõe que, na operação original de compra, o ICMS-ST já foi recolhido pelo fornecedor (o contribuinte substituto).
Na nota fiscal de entrada da mercadoria, deve constar o valor do ICMS-ST destacado. A devolução com CFOP 5411 serve para “estornar” ou ajustar esse recolhimento, transferindo a responsabilidade pelo ajuste fiscal de volta ao fornecedor original.
Quer entender como funciona o cálculo do ICMS? Leia agora: “Como calcular o ICMS?”.
O preenchimento correto da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) de devolução é crucial para a validade fiscal da operação. Siga este passo a passo.
No campo correspondente ao código fiscal no item da nota fiscal, selecione 5411. Esta é a informação primária que define a natureza da operação perante o Fisco.
No campo “Destinatário” da nota fiscal de devolução (que é uma saída para o seu estabelecimento), você deve informar os dados do fornecedor original de quem você comprou a mercadoria.
Ou seja, a empresa que receberá a devolução. É fundamental que o CNPJ e a Inscrição Estadual sejam exatamente os mesmos da nota fiscal de compra.
Esta é a parte mais crítica. Na NF-e, existem campos específicos para vincular a devolução à compra original:
Saiba mais em: “PIS e COFINS: eles são importantes para quem emite nota fiscal?”.
Descreva de forma clara, como “Devolução de Compra para Comercialização – CFOP 5411”.
Deve ser idêntico ao da nota original.
Atenção: A nota fiscal de devolução não é uma nota de venda comum. Ela não gera novo crédito/débito de ICMS para quem emite. Sua função é anular os efeitos fiscais da nota original.
Muitos aspectos tributários e contábeis envolvem o CFOP 5411, sendo eles:
A principal implicação tributária do CFOP 5411 é o ajuste do ICMS-ST. Quando você emite a devolução:
O CFOP 5411 é muito mais do que um simples código numérico; ele é um instrumento de precisão fiscal essencial para empresas que comercializam produtos sujeitos à Substituição Tributária.
Sua correta aplicação garante a regularidade das devoluções, permitindo o ajuste correto dos valores de ICMS-ST recolhidos antecipadamente e evitando a formação de passivos tributários para ambas as partes envolvidas, quem devolve e quem recebe a devolução.
Ignorar as regras específicas do CFOP 5411 pode levar a uma série de problemas, como créditos fiscais indevidos, divergências nos livros fiscais e autuações por inconsistência na apuração do ICMS. A chave para a conformidade está na atenção aos detalhes: identificar corretamente a mercadoria sujeita a ST, vincular a devolução à compra original e escolher o código fiscal que verdadeiramente reflete a natureza complexa da operação.
Em caso de dúvidas, a consulta a um contador especializado em ICMS e Substituição Tributária é sempre a estratégia mais segura para proteger o negócio de riscos fiscais desnecessários.

Redator Técnico
Hellen Mota é jornalista e redatora. Escreve de forma simples e acessível, ajudando empreendedores a conquistar mais autonomia e segurança.
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