ContabilidadeDocumentação fiscal: o que a empresa precisa guardar
Saiba quais documentos fiscais guardar sob as regras do IBS e CBS e como o armazenamento correto garante seus créditos tributários financeiros.

Enviar produtos sem custo adicional é uma estratégia muito utilizada por empresas de diferentes segmentos: pode ser uma bonificação em uma negociação comercial, um brinde para fidelizar clientes ou uma amostra grátis para divulgar um novo item. Apesar de parecer uma prática simples, cada uma dessas operações tem um tratamento fiscal específico.
A confusão começa porque, na prática, todas envolvem entregar algo “sem cobrança direta”. Mas do ponto de vista tributário, o enquadramento muda completamente: em alguns casos, não há incidência de impostos; em outros, é obrigatório destacar tributos como ICMS e IPI na nota fiscal. Emitir o documento de forma incorreta pode significar pagar impostos indevidos, perder créditos fiscais ou até ser autuado em uma fiscalização.
É justamente aqui que muitas PMEs e até grandes empresas cometem erros. Para evitar problemas, o primeiro passo é entender as diferenças entre bonificação, brinde e amostra grátis, e como cada uma deve ser tratada na nota fiscal.
Embora no dia a dia esses termos sejam usados quase como sinônimos, na contabilidade e no direito tributário eles têm significados distintos. Saber diferenciá-los é essencial para aplicar o CFOP correto, destacar ou não os tributos devidos e classificar a operação adequadamente na escrituração contábil.
Embora, na prática, bonificação, brinde e amostra grátis representem a entrega de produtos sem cobrança direta do cliente, o fisco não trata essas operações da mesma forma. Cada uma delas possui um conceito fiscal próprio, que impacta diretamente na forma como a nota fiscal deve ser emitida e na forma como a operação é escriturada.
Cada operação exige cuidados específicos com relação ao destaque de impostos na NF:
Erro comum: tratar brinde como bonificação para não recolher impostos. Em fiscalizações, essa prática pode gerar autuações e multas.
Além da emissão da nota fiscal, é preciso refletir corretamente essas operações na contabilidade:
Essa distinção garante que o balanço da empresa reflita a realidade econômica e fiscal, evitando divergências entre escrituração contábil e fiscal.
Leia também: “CFOP: o que é, para que serve e tabela”.
A bonificação é uma prática comum em negociações comerciais: o cliente compra determinada quantidade e recebe unidades adicionais sem custo, como um incentivo ou desconto embutido.
Apesar de ser vista pelo mercado como um “presente”, para o fisco ela tem um tratamento específico. A emissão da nota fiscal nesse caso é obrigatória, mas precisa seguir critérios que evitem tributação indevida e garantam a rastreabilidade da operação.
O ponto mais importante é entender que a bonificação não é uma nova venda, mas sim um prolongamento da operação principal. É como se parte da receita fosse renunciada pela empresa em troca de um benefício ao cliente. Por isso, a legislação prevê CFOPs próprios e regras específicas para destacar valores e impostos.
O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) é o que classifica a natureza da operação perante o fisco. No caso da bonificação, os CFOPs mais utilizados são:
Esses códigos foram criados justamente para indicar ao fisco que não houve uma venda tributada, mas sim uma entrega gratuita vinculada a uma negociação comercial.
Exemplo prático: uma distribuidora de alimentos vende 100 pacotes de arroz e envia mais 10 como bonificação. Para registrar corretamente:
Erro comum: usar CFOP de venda para bonificação. Isso faz com que a bonificação seja considerada receita e sujeita à tributação, aumentando indevidamente a carga de impostos.
Embora não haja cobrança ao cliente, a nota fiscal de bonificação deve conter o valor real dos produtos entregues. Isso porque o documento precisa demonstrar a operação para fins de controle contábil e fiscal.
Importante: mesmo sem tributos, o valor deve aparecer na NF. O objetivo é demonstrar a base de referência da bonificação, garantindo que o cliente e o fisco tenham ciência da operação.
Exemplo: uma empresa de bebidas entrega 5 caixas de refrigerante como bonificação. A NF deve trazer o valor das caixas, mas com tributação “zerada” — ou seja, sem gerar débito de ICMS, IPI, PIS ou Cofins.
A bonificação só é vantajosa quando registrada corretamente. Alguns erros recorrentes acabam fazendo com que empresas paguem imposto de forma desnecessária:
Esses erros são facilmente evitados com o uso de sistemas emissores integrados, que já aplicam automaticamente o CFOP e as regras fiscais corretas.
Enquanto a bonificação está diretamente ligada à negociação comercial, os brindes e as amostras grátis fazem parte de ações promocionais.
Para o cliente, ambos representam algo recebido sem custo adicional; porém, para o fisco, cada operação tem regras fiscais próprias, que devem ser observadas na emissão da nota fiscal para evitar recolhimento indevido de tributos ou autuações.
As amostras grátis são produtos entregues em pequenas quantidades, com o objetivo de divulgação. Para serem reconhecidas como tal pelo fisco, precisam cumprir alguns requisitos:
Exemplo prático: no setor farmacêutico, é comum entregar sachês de medicamentos em dose única. No setor de cosméticos, embalagens menores (5 ml ou 10 ml) são distribuídas com o rótulo de “amostra grátis”.
Na nota fiscal, a operação deve ser registrada como remessa de amostra grátis, sem destaque de ICMS ou IPI, desde que atenda às condições legais. Caso contrário, o fisco pode considerar a operação uma venda disfarçada e exigir tributação.
No caso dos brindes, a regra é diferente. Sempre que a empresa envia ao cliente um produto diferente daquele adquirido, o fisco entende que houve circulação de mercadoria própria. Ou seja, mesmo sem cobrança, há incidência tributária.
Exemplo prático: uma loja de eletrodomésticos vende uma geladeira e envia um liquidificador como brinde. A nota fiscal do liquidificador precisa ter o destaque do ICMS (e do IPI, se aplicável), ainda que o cliente não pague nada por ele.
Aqui está o grande cuidado: muitas empresas registram brindes como bonificação para evitar tributos, mas essa prática pode gerar multas e autuações em fiscalizações.
Em campanhas de marketing, a entrega de brindes e amostras grátis pode ser uma ótima estratégia de fidelização e divulgação, mas do ponto de vista fiscal, é essencial planejar:
Exemplo prático: uma empresa de cosméticos distribui 5.000 batons em um evento. Cada unidade precisa ser registrada em NF como amostra grátis (sem destaque de ICMS, com embalagem reduzida e identificada). Se o mesmo produto for entregue como brinde em compras acima de certo valor, ele precisa ser registrado com ICMS destacado.
Quer saber mais sobre impostos e notas fiscais? Leia agora: “Quais impostos incidem sobre uma nota fiscal: ICMS, ISS, PIS e COFINS explicados”.
A emissão de notas fiscais em operações de bonificação, brindes e amostras grátis exige atenção redobrada porque, embora todas envolvam a entrega de mercadorias sem cobrança, o tratamento fiscal é diferente em cada caso. É justamente nesse detalhe que muitas empresas acabam recolhendo impostos indevidos ou ficando vulneráveis a autuações.
No caso da bonificação, quando bem registrada com o CFOP correto, vinculada à operação principal e sem destaque indevido de tributos, a empresa garante que a operação seja reconhecida como um desconto comercial em forma de mercadoria, e não como receita nova. Isso elimina o risco de tributação indevida e assegura que a prática continue sendo uma estratégia vantajosa para fidelizar clientes e ampliar vendas.
Já em campanhas com brindes e amostras grátis, o cuidado deve estar na emissão clara e transparente da NF, respeitando as regras fiscais de cada modalidade. Esse zelo garante não apenas conformidade com o fisco, mas também credibilidade e segurança nas relações comerciais.

Redator Técnico
Hellen Mota é jornalista e redatora. Escreve de forma simples e acessível, ajudando empreendedores a conquistar mais autonomia e segurança.
Emita suas notas fiscais sem complicação
NF-e, NFS-e e NFC-e em um só lugar, com suporte de verdade.
ContabilidadeSaiba quais documentos fiscais guardar sob as regras do IBS e CBS e como o armazenamento correto garante seus créditos tributários financeiros.
ContabilidadeEntenda os casos de obrigatoriedade da nota fiscal complementar e evite multas. Descubra como ajustar impostos na Reforma Tributária e manter o caixa em dia.
ContabilidadeDescubra os riscos reais de parar de emitir notas fiscais. Entenda as multas, sanções e como a Reforma Tributária torna a sonegação impossível em 2026.