ContabilidadeDocumentação fiscal: o que a empresa precisa guardar
Saiba quais documentos fiscais guardar sob as regras do IBS e CBS e como o armazenamento correto garante seus créditos tributários financeiros.

Emitir uma nota fiscal corretamente vai muito além de registrar o valor da venda e o CNPJ do cliente. Para empresas do comércio, isso significa conhecer profundamente dois códigos fundamentais: CFOP e NCM.
Eles não apenas determinam a natureza da operação e a classificação do produto, mas também definem como os impostos serão calculados, e se sua empresa está ou não em conformidade com o Fisco.
Basta um erro simples, como escolher o CFOP errado em uma devolução ou usar um NCM genérico para todos os produtos, para colocar a empresa em risco.
Neste artigo, você vai entender o que são CFOP e NCM, por que eles são essenciais para o comércio, e como usá-los corretamente para manter sua empresa regular e competitiva.
A rotina de emissão de notas fiscais exige mais do que apenas preencher campos: exige atenção às regras fiscais que regulam o comércio em todo o território nacional. É nesse cenário que CFOP e NCM ganham protagonismo.
Ambos os códigos estão presentes em toda nota fiscal e, juntos, determinam a legalidade, a correta tributação e a rastreabilidade de cada operação comercial.
O CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) indica o tipo de operação que está sendo realizada. Ele sinaliza para os sistemas fiscais do governo se aquela nota corresponde a uma venda, devolução, transferência entre filiais, bonificação ou outra finalidade.
A escolha do CFOP correto garante:
Por exemplo:
Tudo sobre CFOP em: “CFOP: o que é, para que serve e tabela”.
Já o NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é um código padronizado utilizado para identificar a natureza de cada produto comercializado. Com base nele, o Fisco aplica as alíquotas corretas de IPI, PIS, COFINS e ICMS.
Cada produto tem seu código específico, formado por oito dígitos. E engana-se quem acha que usar um código genérico é mais seguro: erros na classificação podem gerar multas, impedir a emissão da nota fiscal ou até travar operações com substituição tributária.
O NCM é importante para:
Saiba mais sobre NCM em: “NCM: o que é, para que serve e tabela”.
Escolher o CFOP certo na emissão de uma nota fiscal é uma das etapas mais importantes — e também uma das mais negligenciadas — por empresas do comércio.
O problema é que um código fiscal preenchido de forma errada pode alterar totalmente a tributação da operação, gerar erros na apuração de impostos e até bloquear o crédito do cliente.
A regra básica é: o CFOP deve sempre refletir o tipo da operação, a localização do comprador ou destinatário e se há ou não transferência de propriedade da mercadoria.
Veja os casos mais comuns e os CFOPs que devem ser utilizados:
No vídeo abaixo explicamos sobre o CFOP 6.102 que se refere à venda interestadual de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, explicamos quando usar e como evitar erros fiscais:
Dica prática:
Sempre que tiver dúvidas sobre qual CFOP usar, verifique:
Veja também: “Nota fiscal interestadual: diferencial de alíquota e o que muda na emissão”.
A correta classificação do NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) é essencial para garantir que a tributação da nota fiscal esteja de acordo com a legislação. E embora pareça apenas um número de oito dígitos, esse código tem um peso enorme na hora de calcular impostos como IPI, PIS, COFINS e ICMS.
Usar um NCM genérico ou equivocado pode gerar multa, bloqueio da emissão de notas, e até problemas com a liberação de cargas em transportadoras e fronteiras estaduais.
O NCM de um produto deve ser consultado na tabela oficial da Receita Federal, baseada na classificação da ONU (Sistema Harmonizado) e adaptada ao Mercosul. O IBGE também divulga descrições e exemplos de aplicação para auxiliar na escolha correta.
Cada código NCM corresponde a uma descrição técnica e a uma carga tributária específica. Por exemplo:
Penalidades por erro na classificação do NCM:
Dica prática: Utilize ferramentas de busca específicas para NCM ou consulte o contador da empresa. Evite “chutar” códigos ou copiar NCMs de concorrentes sem confirmar a aplicação correta ao seu produto.
Nem todos os produtos seguem o mesmo padrão de tributação. Muitos têm tratamento tributário especial, especialmente no comércio de alimentos, medicamentos, livros, produtos recicláveis, entre outros.
Essas exceções podem gerar:
Por isso, classificar o NCM corretamente também garante que sua empresa não pague tributos a mais. Em alguns casos, usar o NCM errado faz com que o sistema aplique uma alíquota maior do que a devida, e o prejuízo vai direto para o seu caixa.
Leia também: “Tabela NCM: O Guia Completo”.
No dia a dia de empresas do comércio, especialmente em operações com grande volume de notas fiscais, é comum que erros aconteçam, principalmente na escolha do CFOP e na classificação do NCM.
O problema é que esses erros, mesmo que pequenos, podem impactar diretamente a tributação e gerar consequências legais e financeiras.
Abaixo, destacamos os dois erros mais recorrentes e como evitá-los com boas práticas:
Um dos deslizes mais comuns é usar um CFOP que não reflete a realidade da operação. Por exemplo, aplicar o código de venda (5.102) em uma nota que, na verdade, corresponde a uma remessa de bonificação (5.910). Isso altera a natureza da operação e pode gerar:
Como evitar:
Outro erro comum, e perigoso, é utilizar um NCM “padrão” para todos os produtos ou códigos genéricos como “21069090” ou “00000000”, acreditando que isso resolve o problema momentaneamente.
As consequências desse tipo de erro incluem:
Como evitar:
Se aprofunde no assunto: “Código de situação tributária (CST): o que é e como preencher corretamente”.
Escolher um CFOP compatível com a natureza da operação e classificar o NCM corretamente são ações que reduzem riscos de multas, glosas e inconsistências contábeis. E mais: elas protegem o seu negócio em um ambiente tributário cada vez mais monitorado digitalmente, especialmente com o avanço da fiscalização eletrônica.
Se sua empresa ainda comete erros com frequência, o caminho é claro: capacitação da equipe, revisão periódica dos cadastros e uso de ferramentas fiscais inteligentes que ajudam a automatizar e validar esses dados com segurança — como o ClickNotas.

Redator Técnico
Hellen Mota é jornalista e redatora. Escreve de forma simples e acessível, ajudando empreendedores a conquistar mais autonomia e segurança.
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