Notas FiscaisComo o cadastro de produtos muda a emissão de notas fiscais na Reforma Tributária
Evite notas fiscais rejeitadas e retenções indevidas. Veja como o cadastro de produtos define o sucesso da emissão sob as novas regras do IVA Dual.

Com a Reforma Tributária se aproximando da fase de implementação, muitos profissionais da área fiscal e contábil têm uma dúvida essencial: o Imposto Seletivo vai mudar a estrutura do XML da nota fiscal?
A resposta é sim, e por um motivo simples: o XML será o principal meio de registro e fiscalização do novo tributo. Assim como já acontece com ICMS, IPI e PIS/Cofins, o Imposto Seletivo (IS) exigirá campos específicos no documento fiscal eletrônico para que o Fisco consiga rastrear, validar e controlar a cobrança de forma automática.
O Imposto Seletivo (IS) foi criado na Reforma Tributária com uma função clara: desestimular o consumo de produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde pública ou ao meio ambiente.
Diferente de tributos como o IBS ou CBS, que visam arrecadar, o IS tem um caráter extrafiscal.
A natureza extrafiscal significa que o objetivo principal do IS não é arrecadar dinheiro para os cofres públicos, mas sim regular comportamentos econômicos. Ou seja, o tributo é usado como instrumento de política pública.
Essa lógica já existe no Brasil com o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que tem alíquotas maiores para produtos como cigarros e bebidas alcoólicas. Agora, com a criação do IS, essa função regulatória será reforçada e reorganizada de forma mais clara dentro do novo sistema tributário.
A lista definitiva de produtos sujeitos ao IS ainda depende de regulamentações, mas o texto da Reforma e as discussões legislativas indicam que serão atingidos:
Esses produtos, ao serem vendidos, precisarão ter o Imposto Seletivo destacado no XML da nota fiscal, o que impacta diretamente a emissão e validação desses documentos
Leia também: “Imposto Seletivo: qual o motivo da sua criação?”.
Sim. Assim como já ocorre com tributos como ICMS, IPI, PIS e Cofins, o Imposto Seletivo (IS) deverá constar obrigatoriamente no XML da nota fiscal eletrônica quando for aplicável à operação.
Com a chegada do IS, o XML se torna ainda mais importante no contexto da fiscalização digital, funcionando como instrumento oficial de apuração, validação e cruzamento de dados pelo Fisco. Isso exige atenção máxima das empresas emissoras de NF-e, NFS-e ou NFC-e.
O XML é o arquivo digital que contém todas as informações fiscais da nota. Ele é transmitido aos sistemas da Receita e das Secretarias de Fazenda, servindo como base para:
No caso do Imposto Seletivo, o XML será fundamental para a rastreabilidade, permitindo que o Fisco acompanhe:
Ou seja, a correta escrituração do IS no XML será a única forma de comprovar que a operação foi tributada corretamente. Qualquer omissão ou erro pode gerar autuações.
Com a digitalização crescente do sistema tributário, a fiscalização deixou de depender exclusivamente de auditorias presenciais e passou a operar com cruzamentos automáticos de dados eletrônicos.
No caso do IS, os órgãos de fiscalização poderão usar o XML para:
Isso significa que o XML será o principal ponto de contato entre empresa e Fisco no que diz respeito ao Imposto Seletivo. Portanto, a precisão no preenchimento e atualização dos sistemas emissores de nota será essencial.
Leia também: “Arquivo XML: tudo sobre o documento fiscal obrigatório”.
Com a criação do Imposto Seletivo (IS), o XML da nota fiscal precisará refletir com precisão todas as informações relacionadas a esse novo tributo, especialmente nos casos em que ele incide sobre produtos ou operações específicas.
A estrutura do XML será adaptada para receber novos campos ou aproveitar campos já existentes, dedicados a indicar os detalhes da cobrança do IS, garantindo a correta apuração e a rastreabilidade fiscal.
Assim como outros tributos destacados na nota fiscal, o IS precisará apresentar no XML:
Importante: A forma de apuração pode variar entre produtos por exemplo, no caso de cigarros ou bebidas alcoólicas, o IS pode adotar um modelo de cobrança por unidade, e não apenas percentual.
Para que o XML informe corretamente a incidência do Imposto Seletivo, é necessário identificar com clareza quais produtos estão sujeitos a essa tributação. Isso exige o preenchimento correto de:
O código NCM é obrigatório em todas as notas fiscais de mercadorias e será um dos principais critérios de verificação para saber se um item está sujeito ao IS.
Enquadramento fiscal
Além do NCM, o XML poderá contar com campos específicos para indicar o código de enquadramento no Imposto Seletivo, que será definido pela legislação complementar da Reforma Tributária.
Esse código servirá como um “sinalizador” para os sistemas do Fisco, apontando:
Atenção: A correta parametrização dessas informações no emissor de notas fiscais será crucial. Sistemas desatualizados ou com cadastro incompleto podem gerar inconsistências que levam à rejeição da nota, perda de crédito tributário ou multa por erro fiscal.
Sim, a implementação do Imposto Seletivo (IS) impacta diretamente o layout do XML das notas fiscais eletrônicas. Assim como aconteceu com tributos anteriores (como ICMS, PIS e Cofins), o novo imposto precisa estar claramente identificado no arquivo XML, que é a versão oficial e digital da nota fiscal enviada ao Fisco.
Essas mudanças têm como objetivo garantir que o IS seja apurado de forma automatizada, transparente e auditável, dentro da lógica da nova Reforma Tributária.
O novo modelo de nota fiscal com CBS, IBS e IS está sendo desenvolvido com base na necessidade de modernização do layout do XML, mas também com preocupação em preservar o que ainda funciona.
Dois caminhos estão sendo analisados pelos órgãos responsáveis:
Importante: A escolha entre adicionar ou reaproveitar campos depende do Comitê Gestor e das Secretarias de Fazenda, que estão desenvolvendo o novo layout da NF-e (provavelmente em versão beta ainda em 2025).
Toda vez que o layout do XML é alterado, o processo de validação da nota fiscal também muda. Isso porque o sistema da SEFAZ (Secretaria da Fazenda) faz uma checagem automática de todas as informações presentes no XML antes de autorizar a emissão.
Com o IS, essas validações vão incluir:
Consequência prática: Se o layout do XML não estiver devidamente atualizado ou se os dados forem inseridos de forma incorreta, a nota fiscal será rejeitada, impedindo a venda e atrasando o faturamento da empresa.
Leia também: “Modelo de nota fiscal com IBS e CBS: o que muda na emissão dos novos tributos”.
Com a chegada do Imposto Seletivo (IS) e a centralidade do XML na apuração tributária digital, erros no preenchimento da nota fiscal eletrônica ganham ainda mais peso.
Isso porque o Fisco não depende mais apenas de declarações periódicas: ele acessa diretamente os dados das notas fiscais em tempo real e cruza essas informações com outras fontes oficiais.
Se houver inconsistência ou omissão no XML, a empresa corre sérios riscos de autuações fiscais, perda de crédito tributário e até bloqueios operacionais.
Hoje, os sistemas de fiscalização eletrônica utilizam o SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), os arquivos XML da NF-e, declarações acessórias e até dados de pagamento eletrônico para verificar se a empresa está recolhendo corretamente os tributos devidos.
Com o IS, isso se intensifica. O Fisco fará cruzamentos automáticos como:
Essas situações podem gerar alertas automáticos nos sistemas das SEFAZ estaduais e federais, resultando em notificações ou autuações.
Quando há erros no XML relacionados ao Imposto Seletivo, as penalidades podem envolver:
Atenção: o XML é o único documento com valor jurídico e fiscal na nota eletrônica. O DANFE (versão impressa ou
Saiba mais sobre o assunto em: “O que é Danfe e XML: conheça os documentos essenciais para o registro fiscal”.
Não. O Imposto Seletivo (IS) incidirá apenas sobre produtos e atividades específicos definidos em lei, com base em critérios como:
A maior parte dos produtos e serviços não será afetada. Portanto, o destaque do IS no XML somente será exigido quando o item comercializado constar nas tabelas de incidência divulgadas pelo governo federal.
Importante: o NCM (Código Nomenclatura Comum do Mercosul) será o principal identificador no XML para indicar se há ou não incidência do IS.
Depende da regulamentação final. Até o momento, o texto da Reforma Tributária indica que o Imposto Seletivo não seguirá a lógica da não cumulatividade adotada para o IBS e a CBS.
Ou seja, o IS não gera crédito tributário para quem adquire produtos com esse imposto embutido. Isso reforça o caráter extrafiscal do tributo, que busca desincentivar o consumo de determinados itens, e não arrecadar com base em cadeia produtiva.
Sim, mas de forma simplificada. O DANFE (Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica) é uma representação gráfica da nota fiscal eletrônica e deve exibir:
Contudo, o XML da NF-e continuará sendo o documento oficial com validade jurídica e técnica, onde os campos específicos do IS serão validados pelas SEFAZ e sistemas de apuração.
O Imposto Seletivo deve começar a ser exigido a partir de 2026, seguindo o cronograma de transição da Reforma Tributária.
O destaque no XML será obrigatório assim que os produtos sujeitos ao IS forem definidos por lei complementar e os novos campos forem implantados nos sistemas emissores e nas SEFAZ.
Fique atento: as empresas que operam com produtos possivelmente afetados (como bebidas, cigarros, combustíveis e veículos) devem se preparar antecipadamente, atualizando cadastros, regras fiscais e validadores do XML.
Saiba mais sobre em: “A Reforma Tributária e o impacto na emissão de NF-e”.
Com a chegada do Imposto Seletivo (IS) no contexto da Reforma Tributária, o XML da nota fiscal eletrônica ganha ainda mais protagonismo como ferramenta de controle fiscal, rastreabilidade e conformidade.
A correta inserção das informações sobre o IS no XML como base de cálculo, valor do imposto e identificação dos produtos tributados, será essencial para:
Além disso, a implementação do IS reforça o movimento de digitalização tributária, exigindo que empresas atualizem seus sistemas emissores de notas, parametrizem corretamente seus cadastros fiscais e adotem rotinas de conferência automatizadas.
Para manter a conformidade, é fundamental que os profissionais da área fiscal estejam atentos às normas técnicas do XML, ao cronograma de transição da Reforma e às atualizações promovidas pelo governo e pelo Comitê Gestor dos novos tributos.
O XML não é apenas um arquivo técnico, é a base do novo sistema tributário digital do Brasil.
Entenda os principais termos da Reforma Tributária agora! Leia: “Glossário da Reforma Tributária: os principais termos explicados”.

Redator Técnico
Hellen Mota é jornalista e redatora. Escreve de forma simples e acessível, ajudando empreendedores a conquistar mais autonomia e segurança.
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