Reforma TributáriaSplit payment na Reforma Tributária: quem recolhe o IBS e CBS e o que muda para a microempresa
Entenda como funciona o split payment na Reforma Tributária, quem recolhe o IBS e CBS em cada operação e o que muda para MEI, ME e EPP.

A Reforma Tributária é uma pauta histórica no Brasil, frequentemente debatida, mas somente agora transformada em realidade. A sua aprovação por meio das PECs 45/2019 e 110/2019, marca um dos maiores avanços no sistema de arrecadação do país desde a Constituição de 1988.
Mas, afinal, qual é o objetivo central da Reforma Tributária? Por que mudar um sistema que, apesar de complexo, funciona há décadas?
A resposta está nos problemas estruturais do modelo atual, que impõem altos custos às empresas, dificultam o crescimento econômico, desestimulam investimentos e criam desigualdades na tributação. A proposta da Reforma é simplificar, modernizar e tornar mais justo o sistema de tributos sobre o consumo, trazendo mais previsibilidade e eficiência.
A seguir, entenda os fundamentos, as correções propostas e os benefícios esperados com a implementação do novo modelo.
Antes de entender os objetivos da Reforma Tributária, é essencial compreender por que o sistema atual precisa ser reformado. O modelo brasileiro de tributação sobre o consumo é amplamente reconhecido como um dos mais complexos, onerosos e ineficientes do mundo.
Essa complexidade prejudica empresas de todos os portes, desestimula investimentos, gera litígios intermináveis e contribui para um ambiente de negócios instável.
Segundo o relatório Doing Business do Banco Mundial e estudos do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), o sistema tributário brasileiro não apenas é burocrático, como também injusto e pouco transparente.
O que muda e cronograma tributário em: “Reforma Tributária: o que muda e cronograma tributário até 2033”.
Um dos maiores problemas do sistema atual é a fragmentação tributária. Hoje, as empresas precisam lidar com:
Para empresas que operam em mais de um estado ou município, a dificuldade se multiplica: o ICMS, por exemplo, é regido por 27 legislações estaduais diferentes, com milhares de normas e exceções.
Segundo levantamento do IBPT, uma empresa brasileira gasta, em média, 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações fiscais, um recorde global.
Esse cenário gera altos custos de conformidade, exige grandes equipes fiscais e torna o sistema especialmente penoso para micro e pequenas empresas, que têm menos recursos para lidar com essa complexidade.
Outro grande obstáculo do modelo atual é a cumulatividade de impostos, especialmente no caso do PIS e da Cofins. Embora existam regimes de não cumulatividade, eles são parciais, cheios de restrições e geram insegurança sobre o que realmente pode ser creditado.
Exemplos práticos do problema:
Esses efeitos levam a aumento de preços, distorção na concorrência e perda de competitividade, especialmente na exportação.
Leia também: “O que é a não cumulatividade plena da Reforma Tributária?”.
A complexidade e as brechas do sistema atual também favorecem:
Segundo dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o estoque de contenciosos tributários no Brasil ultrapassa R$ 5 trilhões, o equivalente a cerca de 75% do PIB nacional.
Além disso, há uma tendência à chamada “guerra fiscal” entre estados, com concessão de benefícios unilaterais de ICMS, que desequilibram a concorrência e geram disputas federativas constantes.
Diante das falhas históricas do sistema tributário brasileiro como complexidade, distorções econômicas, bitributação e insegurança jurídica, a Reforma Tributária surge com o propósito de corrigir essas ineficiências estruturais.
Seu foco principal está em transformar a tributação sobre o consumo, que hoje representa a maior parte da carga tributária nacional, mas é altamente disfuncional. Com a implementação da CBS, IBS e o Imposto Seletivo, a proposta é modernizar, simplificar e equilibrar a forma como os tributos são cobrados.
Um dos principais pilares da Reforma é a substituição de cinco tributos atuais ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins por dois novos impostos com base ampla:
Essa unificação resolve vários gargalos do modelo atual:
Essa mudança torna o sistema mais próximo dos modelos internacionais e facilita a vida de empresas que atuam em mais de um estado ou prestam serviços em diferentes municípios.
Tudo sobre os novos impostos em: “Reforma tributária: CBS, IBS, Imposto Seletivo (IS) e novas alíquotas”.
Outro objetivo central da Reforma é reduzir a insegurança jurídica que hoje marca o relacionamento entre contribuintes e o Fisco. Com regras claras, uniformes e digitalizadas, espera-se:
Além disso, a estrutura de arrecadação compartilhada do IBS com um comitê gestor único para estados e municípios promove governança padronizada, reduzindo disputas federativas e decisões isoladas.
Atualmente, o sistema favorece alguns setores em detrimento de outros, criando desequilíbrios competitivos e injustiças fiscais. A Reforma propõe corrigir isso por meio de dois princípios centrais:
Com a tributação no destino, também se busca corrigir desequilíbrios regionais, pois o imposto será arrecadado onde o consumo ocorre, e não onde a empresa está sediada.
Essa mudança favorece estados com maior população e consumo, mas é compensada por mecanismos de fundo de desenvolvimento regional, garantindo justiça na redistribuição dos recursos.
Leia também: “Tributação no destino: o que isso significa?”.
Com a aprovação da Reforma Tributária e a substituição dos tributos atuais por CBS, IBS e Imposto Seletivo, o Brasil inicia uma transição para um modelo mais eficiente, transparente e alinhado às boas práticas internacionais.
Embora os impactos plenos da reforma só sejam sentidos após o fim da fase de transição (até 2033), já é possível prever uma série de benefícios concretos para empresas, consumidores, investidores e para a própria administração pública.
Um dos principais entraves ao crescimento econômico brasileiro é a complexidade tributária. A nova estrutura promete reduzir drasticamente essa barreira, criando um ambiente mais saudável para empreender e expandir.
Principais ganhos:
Essa melhoria tem impacto direto sobre a formalização de negócios, a competitividade das empresas nacionais e o estímulo ao crescimento econômico sustentável.
A nova lógica tributária, baseada em não cumulatividade plena, transparência e neutralidade, tende a tornar o Brasil mais atrativo para investidores tanto nacionais quanto estrangeiros.
Como isso se traduz em competitividade:
Com isso, espera-se que o Brasil avance em rankings internacionais como o Doing Business e torne-se um ambiente mais confiável para negócios globais.
Leia também: “Reforma Tributária: saiba quais impostos serão extintos e quais os substituirão”.
A unificação de tributos e a digitalização dos processos fiscais são dois dos pilares mais práticos da reforma. Esses avanços trazem benefícios diretos para a gestão tributária das empresas.
Exemplos de desburocratização:
Previsibilidade fiscal também se fortalece, pois:
Esse cenário beneficia empresas de todos os portes, especialmente as de médio porte, que hoje sofrem com o custo da conformidade sem os mesmos recursos de grandes corporações.
Leia também: “A Reforma Tributária e o impacto na emissão de NF-e”.
Não necessariamente. O objetivo central da Reforma não é reduzir a carga tributária, mas sim torná-la mais justa, transparente e eficiente.
O que muda:
No fim, a carga total poderá variar conforme o setor e o perfil da empresa, mas a promessa da Reforma é melhorar a qualidade da tributação, e não apenas reduzir números.
Setores mais afetados pela cumulatividade atual e com cadeias produtivas longas devem ser os maiores beneficiados. Entre eles:
Por outro lado, setores de serviços de baixo valor agregado, que hoje se beneficiam de regimes simplificados ou cumulativos, poderão sofrer ajustes de carga tributária.
Sim, e esse é um dos principais objetivos da mudança.
A simplificação virá por meio de:
Além disso, a criação de um sistema nacional integrado para gestão e arrecadação dos tributos facilitará a vida do contribuinte, sobretudo para empresas que atuam em mais de uma localidade.
Sim, a Reforma tem como um de seus pilares a justiça fiscal. Isso será alcançado por meio de:
A ideia é criar um sistema neutro e isonômico, no qual as decisões econômicas não sejam guiadas por vantagens tributárias, mas sim por eficiência e competitividade.
Todas as respostas sobre a Reforma Tributária em: “Reforma Tributária: perguntas e respostas”.
A Reforma Tributária representa um passo histórico na tentativa de corrigir falhas estruturais que há décadas limitam o crescimento econômico, geram insegurança jurídica e sobrecarregam empresas e cidadãos com um sistema fiscal excessivamente complexo.
Ao propor a substituição de cinco tributos por dois principais (CBS e IBS), com base na não cumulatividade plena, cobrança no destino e digitalização dos processos, a Reforma visa simplificar, unificar e modernizar a forma como o Brasil arrecada tributos sobre o consumo.
Mais do que mudanças técnicas, essa transformação promove:
Embora sua implementação seja gradual e exige ajustes por parte das empresas, o novo modelo representa uma oportunidade de quebra de paradigma, substituindo um sistema caótico por outro mais transparente, eficiente e alinhado às melhores práticas internacionais.
Para quem atua no setor contábil, empresarial ou jurídico, entender os objetivos da Reforma e acompanhar sua regulamentação será fundamental para uma transição estratégica e sem surpresas.

Redator Técnico
Hellen Mota é jornalista e redatora. Escreve de forma simples e acessível, ajudando empreendedores a conquistar mais autonomia e segurança.
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